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A internet como aliada da indústria cultural

05/03/2012

Na contramão do conservadorismo das grandes gravadoras e alguns artistas, artistas famosos investem na web.

É possível manter os lucros na sociedade do compartilhamento ou a indústria deve insistir em modelos de negócios tradicionais? W. Gabriel, professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), acredita que existem, sim, boas oportunidades em meio à rede, desde que as empresas se adaptem à cibercultura. "Não defendo a liberação total e a anarquia econômica, mas é preciso distinguir o usuário comum daquele de lucra com a pirataria".

O modelo de distribuição de conteúdo remunerado com base no preço do suporte físico está sendo posto em xeque. Na sociedade conectada, o suporte físico perdeu relevância. "Hoje, o usuário que resolver comprar todas as faixas (de música) online pode pagar mais caro do que se comprasse o CD físico. Isso não faz sentido", diz Gabriel. Por mais que a indústria fonográfica reclame, há bons cases que se conciliam com a internet, como os sites Trama Virtual e Palco MP3.

A Trama é pioneira na solução do impasse dos downloads ilegais de música com a criação dos projetos Álbum Virtual e Download Remunerado, que oferecem a possibilidade de baixar músicas de vários gêneros gratuitamente e de maneira legal ao usuário, mas remunerando o artista. Enquanto várias majors gastam bom tempo em perseguir possíveis piratas, nenhuma produção da Trama tem controle de cópias. Mombojó, O Teatro Mágico e Fresno são algumas das bandas da gravadora.

Disponibilizar o trabalho na web já há algum tempo não é uma ação restrita a jovens iniciantes. Em 2006, com quase vinte anos de carreira, a banda inglesa Radiohead rompeu seu contrato com a gravadora EMI e iniciou a gravação de seu sétimo álbum de estúdio de forma independente. "In Rainbows" foi lançado em outubro de 2007 sob a forma de download digital, em que os compradores escolhiam quanto queriam pagar pelas músicas - inclusive nada, se desejassem. Informações não oficiais indicam que foram feitos 1,2 milhão de downloads só no primeiro dia.

Sucesso de vendas

As vendas físicas de "In Rainbows" - que incluíam edições especiais com bônus - também não decepcionaram a banda. Lançado em dezembro do mesmo ano no Reino Unido e em janeiro nos Estados Unidos, estreou nas primeiras posições em ambos os países. "In Rainbows" marcou o maior sucesso da banda desde "Kid A" (2001), composto sete anos antes e divulgado de maneira convencional. Mais do que isso: tornou o Radiohead um ícone dos que defendem a livre circulação e distribuição de conteúdo online.

Quem sabe usar as mídias digitais a seu favor faz circular seu trabalho, mudando o foco da remuneração para outros pontos da cadeia de produção, como por exemplo as apresentações ao vivo. O trabalho disponibilizado gratuitamente serve de "isca" para vender outros produtos - pagos - do artista: palestras, shows, merchandising ou simplesmente CDs e DVDs, desta vez em versões especiais, com conteúdos extras atraentes.

Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV (Fundação Getúlio Vargas) no Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons no Brasil, frisa que o combate à pirataria não deveria acontecer no campo da tecnologia, mas da economia. "O problema só será resolvido quando houver oferta de produtos e serviços a preços compatíveis com os níveis de renda de cada país, definidos pelo mercado. Hoje, os preços de bens intelectuais da indústria americana, Hollywood e gravadoras, são simplesmente arbitrados", argumenta. (ML)

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1108420

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